O primeiro levantamento estruturado e de alcance nacional sobre como políticos corruptos, empresários, forças de segurança, facções e outros atores silenciam o jornalismo local no Brasil.
Veículos de jornalismo local atuam em territórios marcados por desigualdades históricas, violência armada e diferentes formas de poder paralelo. Em muitos desses lugares, são a única fonte de informação acessível à população. Mas a pressão sobre esses veículos raramente aparece nas estatísticas.
Esta pesquisa mapeou, pela primeira vez em escala nacional, como essa pressão funciona e quais são seus efeitos concretos sobre o jornalismo e sobre as comunidades que ele serve.
Entre fevereiro e maio de 2026, 38 jornalistas e comunicadores de veículos locais responderam a um questionário estruturado e, parte deles, participou de entrevistas em profundidade. A pesquisa foi conduzida com protocolos rigorosos de segurança e anonimato. Nenhum nome de fonte ou veículo é revelado neste relatório.
A investigação é assinada pela jornalista Gabi Coelho e pelo jornalista Igor Soares, com apoio da Repórteres Sem Fronteiras (RSF).
Dados coletados com 38 veículos de jornalismo local das cinco regiões do Brasil.
Os respondentes podiam marcar mais de uma opção. Os dados mostram que a violência é múltipla e simultânea.
Frequência das hostilidades
Linha editorial alterada?
A autocensura opera de forma seletiva: apaga pautas específicas sem alterar o perfil geral do veículo.
O dado vai contra o imaginário mais imediato: políticos corruptos pressionam mais que facções criminosas. Os números indicam quantos respondentes citaram cada ator como principal agente de pressão.
Também citados
Dados por região, a partir das respostas dos 38 veículos participantes. Cada região tem dinâmicas próprias de poder paralelo.
A maior parte da violência sofrida pelo jornalismo local no Brasil não existe em nenhum registro oficial.
Resultado prático
Não há dados públicos sobre a segurança de jornalistas locais. Atrelado a isso, há falta de confiança por parte das vítimas nas instituições para denunciar.
Diante da ausência de estrutura e apoio, os veículos desenvolveram estratégias próprias de sobrevivência editorial. Os números indicam quantos respondentes adotam cada estratégia.
73,7% dos respondentes adotam algum tipo de protocolo de segurança. Os mais comuns: comunicação criptografada, publicação sem assinatura e omissão de detalhes territoriais.
26,3% não têm nenhum protocolo estabelecido.
78,9% dos respondentes afirmam não ter apoio suficiente para continuar operando em situação de risco.
Relatos coletados na pesquisa. Todos os nomes são pseudônimos adotados para proteção das fontes.
Fontes externas utilizadas
Jornalista investigativa independente com foco na defesa dos direitos humanos, justiça social e socioambiental. Recém-especializada em gestão de organizações da sociedade civil, analista de projetos na CTRL+Z, antropóloga em constante formação pela vida e ex-diretora da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).
Tem passagens por veículos como Intercept Brasil, InfoAmazonia, Agência Pública, Gênero e Número, Globo, Estadão, Portal Drauzio Varella, AzMina, Colabora, Ponte Jornalismo, Favela em Pauta e Voz das Comunidades. O terceiro setor da América Latina também faz parte de sua trajetória com projetos em organizações como Artigo 19, Instituto Alana, Énois, Internews, Instituto Toriba, PerifaConnection, IDAFRO, Fundo Baobá, entre outros.
Jornalista formado pela UFRJ. Atua como repórter freelancer do #Colabora, do Rio On Watch e é colaborador da Folha de S. Paulo no Rio. Tem experiência em cobertura de cidades, direitos humanos, segurança pública, economia e política, com passagem pelas redações do Estadão, da Agência Estado e do Portal iG.